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sexta-feira, 4 de maio de 2007

Noite em Claro

Mal saí e quero estar de volta
Estar aí contigo
No teu colo.
Evolvido em teus braços
Como se estivesse deitado na relva
Sentido o cheiro do mar
Coração batendo forte
com teus acalantos
Transpirando seu calor infernal
Sorvendo sua bebida gelada
Ouvindo seu sussuro
Ah meu amor, te quero de volta.
Não estou bem.
Adoecido tão longe
Uma noite em claro
Ainda com dores
O cinzento corroe minha alma.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Luzia ao Sol

Nos idos do final da década de 70 conheci Luzia. Tinha por volta dos seus 10 anos. Sua cor brilhava ao sol, um negro retinto, reluzente. Normalmente andava com roupas que a olhos vistos pareciam de quermesses de igreja. Sempre um pouco maiores ou menores do que seu tamanho. Pela rua ela ia com uma lata na mão e seu irmãozinho a tira colo, sempre de nariz escorrendo.
A lata e o irmão, ela usava para pedir comida de casa em casa.

Ela morava na Selva de Pedra, nas bordas onde morava estavam à famosa Rua C, o Cavalo de Aço, o Rebu e o Jacaré. O único bairro era o Jabour, e por isso era ali onde ela pedia comida.
Sua mãe, era o arrimo da família, fazia faxinas esporádicas. Eles passavam fome.

A comunidade que eu participava organizou para que sempre existisse comida na casa de Luzia daqueles dias em diante. A consciência de todos melhorou com o gesto.

Alguns dias depois voltei a encontrá-la, da mesma forma vagando pelo Jabour. Perguntei se faltava algo. Ela olhou pro chão e continuou seu caminho em busca da segurança da comida dentro da lata.