sábado, 28 de julho de 2007

Selva de Pedra, passos adentro

Luzia seguiu seu caminho em volta da Selva de Pedra.
Enquanto isso eu caminhava cada vez mais para ela, para dentro dela, sem saber.
Dobrando à ultima rua do Jabour a visão se abria era de um campo de futebol.
Igual à muitos outros de terra batida, sem redes.
A sua direita estava o Rebu, à esquerda o Cavalo de Aço e no fundo a Selva de Pedra.
Todos os tres eram conjuntos de triagem, feitos para alojar favelados que perderam suas casas por inundações, incendios, despejos.
Triagem porque o tamanho da casa era inadequado como moradia para as famílias.
Seria uma passagem provisória para outras residencias.Mas o provisório se fez definitivo e os padrões mudaram.
Anos depois esse passou a ser o padrão de residencias construidas na região.
Quando chegava à beira do campo a Selva de Pedra ainda não se mostrava nitidamente.
Ou por causas das biroscas construidas em puxadinhos nas casas.
Ou porque na parte da frente delas haviam pequenos arbustos.
Ou talvez pela poeira do racha que estava sempre acontecendo.
E também porque sempre havia movimento de pessoas saindo e entrando da selva que turvavam a visão.
Contornando o campo chegavamos a rua que passava na frente do conjunto.
Um asfalto gasto, totalmente gasto, com buracos em muitos lugares.
Fomos caminhando travessa um, dois , tres, quatro , cinco , seis, e continuamos, travessa sete, antes de terminar o conjunto, travessa oito e dobramos a direita.
Entramos numa ruela cimentada, mal cabia um carro. As casa eram uma construção só com 4 habitações geminadas e que definiam um bloco.
Primeiro bloco, segundo bloco, terceiro, e após o quarto bloco havia um largo que cortava todo o conjuto onde se viam pequenos parquinhos com escorregas e outros brinquedos quebrados.
As paredes eram de cimento chapiscado.Umas caidas de branco, outras de tijolo, de azuis, de verdes, não caidas, poucas amarelas.
Mas aquele ponto o vão central do conjunto parecia melhor cuidado, menos esburacado.
Cruzamos em direção a casa de esquina, abrimos a portinha de madeira velha que dava acesso a meio metro de terra com algumas plantas e batemos palma e lá de dentro veio uma voz dizendo: podem ir entrando.
A casa tinha telhas de amianto e havia um vão entre as paredes e o telhado.
A sala era pequena mesmo, menor que imaginei, cabia algumas cadeiras, uma televisão e uma mesa com uma toalha velha e ali nos exprememos.
Foi então que conheci Madalena.

Um comentário:

Madalena disse...

pode continuar e tambem abrir o leque dessa historia???? se é que é assim que chama... historia