sexta-feira, 1 de junho de 2007

cor de bronze, negro é o sangue

Não vim de navio negreiro.
As correntes nao prenderam-me no pelourinho
Não conheci a escura senzala
nem meu suor correu pelos senhores

Não sou negro, mulato ou jambo
picuinho e duro meu cabelo não é
A chibata curel e vil
minhas costas não cortou
Nem meu sexo tomaram a força.

sou vergonhasamente branco
Arrogantemente livre
Vaidosamente belo
sempre senhor de tudo

Jambos, mulatos e negros
A criadagem conheci
os braçais, os guetos, as favelas
a pobreza tem sua cor.

herança recebida
dos que vieram antes de mim
Deixaram-me esse vaso de joias
joias de humilhação, sangue
joias que joguei fora.

Ó joia do amor
Mulata, cor de bronze dourado.
negro é seu sangue.

Descendeste de mim
Uma urna verdadeira
Uma tocha viva
pros que virão depois de ti.

Um comentário:

Madalena disse...

esse eu quero num quadro junto com o meu la em casa!!!!!!!!!!!!!