segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Mundo Temporal

Nesse espaço mundo temporal.
Dimensionado em bilhoes de anos-luz desde sua explosão.
Avolumado em centenas de bilhões de conglomerados.
Matérias, anti-matérias, super-matérias, inexistencia de matéria.


Vibrado pela força de trilhoes de sois.
Subjugado pelo poder do total desconhecido e inexplorado.
O ocaso desse fenômeno decrépito se põe a sentir.
Sentir sua insignificância.

O pouco ou nada que têm.
O nada que pode sonhar em almejar,
enquanto o nada da sua existência não termina.


Subjugado pelo pelas suas reações quimicas internas e sensitivas.
Esse mosto de hormônios, endógenos, serotominas, adrenalinas, tiroxinas.
Reproduz seu aprendizado.
Obtém seus louros, alcança suas glorias.
Se contenta com tão pouco.
Está feliz.


Vitoriosa

Escrevo de prima.
Escrevo em lagrimas.
Escrevo no guardanapo e com a caneta do Villi.
A emoção aflora.
Nada mais me reacende a força.
Do que aquela moça.
Tão jovem.
Que venceria a dor.
Venceu a partida.
Venceu o mar.
Venceu as pedras.
Venceu o destino.
Venceu o que não era esperado.
Venceu o que lhe apareceu pela frente.
Venceu o que queria lhe sugar.
Venceu impávida.
Venceu com força.
Venceu com sorriso.
Venceu com a imagem da minha amiga.
E sobrepujou a todos nós.Nos seus tenros anos.
Trouxe a nós a determinação.
A decisão que é possivel ir adiante.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Samba do Criolo Doido

Samba do Criolo Doido,
Esse samba de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) é uma pérola do imaginário popular.
Sei que poucos fatos chegam aos pés de seu enredo e riqueza.
Mas deixem-me contar o que me aconteceu.
Hoje, quinta-feira, quatro dias após a eleição venho eu normalmente no meu metro.
Sentados à minha frente dois passageiros.
Uma senhora, com seus quase cinqüenta anos e um rapaz.
As roupas e aparência revelavam pessoas humildes.
Mas ela lia com atenção " O globo" de terça feira, com o resultado região por região das eleições de prefeito.
Sei que era esse exemplar porque acabara de jogá-lo na lata do lixo do trabalho.
Ninguém é perfeito, as vezes temos que comprar jornais de papel, inclusive "O repulsivo" para ter informações analíticas.
Mas ela lia com atenção e comentava com o rapaz e ocorreu o diálogo.
- Veja a votação, disse ela.
Ele respondeu.
- Não tinha opção.
- Os dois eram farinha do mesmo saco.
- Estavam junto nas eleições passadas.
Ela disse
- Olha aqui, na zona sul o Gabeira teve 70% dos votos.
- Te falei, te falei.
- É sempre assim, querem se aproveitar.
- Minha amiga me disse que apareceu na globo ontem.
- Esses ricaços roubando dinheiro dos remédio.
Ele respondeu:
- São assim, contra impostos para acabar com as coisa dos pobres.
Ela retrucou:
- E agora você viu, querem acabar com tudo pra salvar os ricos.
O metro parou na central e eles se levantaram rápido para saltar.
Imediatamente veio o samba do Stanislaw na minha cabeça.
Podem tentar enganar o povo por muito tempo, com seus raciocínios brilhantes.
Mas existe outra cabeça por ai.
Viva Cartola !
Viva Stanislaw Ponte Preta !
Samba do Crioulo Doido
Composição: Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)
Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes
Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá
O bode que deu vou te contar
Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta
Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Da. Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também
O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Mal Cheiroso

O mal, brota e jorra,
um torpe, criminoso.
Pestilento e leproso
Se afaste de mim !
Assim viro esfarrapado e mal cheiroso
meu andar espalha a dor.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Vestido de Roda I

Flores, perfumes, cores.
Pólem, nectar, vida.
Vespa, abelhas, beija-flores.
Uma primavera bem vinda.

O ceu azul forte e infinito.
O calor do sol a estalar
O sopro morno do vento
A vida rondando à amar.

Roda o vestido baião.
Roda, roda, com seu charme.
Verdes, azuis e amarelos
Não escondas a felicidade.

Repartir a alegria
puro, doce sentimento,
e com enorme despreendimento
Gerar o novo, com energia

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Gorila, Chipanze, Orangotango e o Sardinha

grunhe, grunhe e guincha
corre, pula e redemoinha.
grita, grita e relincha.

mata, mata o bicho.
quebra o galho mata adentro.
corre, corre e cerca
joga, joga, pau e pedra.
cerca, cerca e corre
joga flexa e lança.

grita berra e geme
toca os tambores
pula, pula na mata.

cerca, pega e fera
machado, lâmina e faca
fere, fura esguincha.
geme, chora como um bebe.

corta, lamina, esquarteja.
descabeça e destrincha.
jorra o sangue quente.
o gozo se avizinha.

gorila, orangotango.
macaco e chipanze.
aos pedaços se cozinha.

esfola,corta e come
carne doce e saborasa.
como era boa ...
igual à do bispo sardinha

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

semi-deus ?

Minha filha me perguntou como eu me sentia aos trinta anos
Olhei para os desafios que enfrentei nessa idade e respondi:
- eu pensava que podia carregar o mundo nas costas.
Espantada, retrucou rapidamente:
-se era assim aos trinta anos, como voce se sentia aos vinte anos ?
Nessa época, minha filha tinha vinte anos, então saboriei a resposta, com alguns segundos de suspense e respondi:
-sentia-me como um semi-deus.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Coreia, empoeirada Coreia

Coreia, empoeirada Coreia.
Viraste manchete de jornal.
Expremida entre a linha do trem e o muro da Eternit
Sempre foste esquecida.
Ao contrário da pátria inspiradora.


Quando os desterrado foram para esse barro
Esse pedaço de terra.
Essa faixa de gaza.
Nos arredores dessa estação.
Isso faz muitos anos.


Os populares te apelidaram.
Te chamaram de fim de mundo.
De antro de violência
Local de desterro e dor.


A Coreia alvo do genocídio japones.
A Coreia em pé diante do gigante.
Essa era a Coreia, nesses idos anos.
Dessa Coreia, caparam o brio e luta

Deixaram o véu negro como herança.

Esse véu te cobriu, com esquecimento.
Como te cobre a poeira barrenta de suas ruas,
nunca urbanizadas.
No seu chão faz muitos anos,
Não florescem nem escolas ou saúde,
mas sofridos pela vida.

Brotam de ti, dignidade e indignação.
Do desprezo sem perspectiva brota a rebeldia.
Da rebeldia a violencia.
Da violência o terror.
Da violência a tragédia.
Da tragédia representada a admiração.
Brotam os cruxifixados.
Repressão exemplar.